Activista Cultural angolana nega Celebração de São Valentim: “Os angolanos podem comemorar o dia 14 dos namorados?”
A Activista Cultural angolana e Advogada, Mirian Nzinga Faria, nega a celebração de São Valentim (14 de fevereiro), por ter origem numa tradição europeia, e por pertencer a uma religião opressora que celebrava o amor romântico de Roma.
De acordo com uma entrevista cedida à WezandaFM, Mirian Faria diz que, como advogada e ativista cultural, vê esta data numa perspetiva decolonial: “é um produto histórico de uma narrativa europeia que se globalizou, oprimindo , apagando e subalternizando as formas tradicionais africanas de celebrar o afecto, a comunidade e os vínculos sociais”.
Segundo ela, deveria se aproveitar a data e a egregora já criada pelo mundo, como uma oportunidade para se reflectir sobre como integrar celebrações externas sem perder a memória cultural e ancestral de quem é africano, respeitando os princípios consagrados nas leis angolanas e africanas sobre família, direitos de afecto e união consuetudinária.
“A sabedoria Afrikana nos ensina que, tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convêm.” De acordo com as escrituras sagradas dos papiros, mencionou. Tendo em conta a frase, Miran não proíbe a celebração da data, mas sugere que se pode ter ela não para reproduzir um ritual europeu de consumo, que em sociedades não monogamicas como as africanas, geram imensos atritos, pode-se ressignificá-la para fortalecer vínculos familiares, comunitários e afectivos, valorizando os códigos de afecto e solidariedade que nos são próprios enquanto africanos. Mirian disse também que, juridicamente, qualquer celebração deve sempre respeitar os direitos e deveres previstos no Código da Família Angolano, que protege a dignidade, a liberdade e o consentimento nos relacionamentos.
A Activista cultural se recusou a dar conselhos por não acreditar neles e porque cada um vive a sua história, que inclui elementos muito pessoais, e ninguém tem agência sobre a história do outro. “Mas sei do poder das reflexões conjuntas: como mulher da lei e guardiã da cultura, exorto o questionamento, que consciência, intencionalidade e autenticidade temos nestas festividades europeias : Natal, Páscoa, São Valentim e outros?” questionou.
Mirian Nzinga Faria, concluiu a sua abordagem afirmando que, este dia, inspire a reflectir sobre os modelos que se tem adoptado nas relações daqueles que são de origem da humanidade, pois, o amor, em qualquer contexto, é compromisso, justiça e valorização do outro. Acrescentou ainda que a data de São Valentim pode, ser uma oportunidade para reavivar práticas culturais de afecto genuíno, solidariedade e respeito pelos direitos consagrados na lei costumeira, incluindo a complementaridade entre parceiros, o consentimento e a proteção das relações familiares.
Por: Ariete Matumona
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